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QUANDO EU FOR
RECUERDO
 Quando eu partir e deixar de ser, talvez o brilho de meu
olhar possam encontrar junto às estrelas prateadas, que pra Lua
encantada fazem companhia. E quem sabe sejam tema de poesia de um
pajador na madrugada.
A minha fala talvez se encontre no
canto da passarada, como orquestra afinada em um dia de
verão, pra levar ao coração a pureza da sinfonia, na mais simples
harmonia ao entoar uma canção.
Meus versos, minhas
palavras, que retratam amor e ternura, talvez fiquem na
literatura ou nos lábios de declamadores, ou então voltem novamente
às flores que são os temas naturais e sempre bambeiam anais nos
versos de pajadores.
Quando eu for recuerdo talvez seja uma
boa lembrança na meiguice da criança, no vigor da mocidade e na
sabedoria da idade que o tempo tenha moldado, pra que possa ser
lembrado com áureas de autenticidade. Recuerdos cativam a
alma quando chega a saudade e se eu for na verdade um recuerdo
que valha a pena, tive então vida boena e quem quiser me
encontrar num jardim vai vislumbrar a minha face serena.
Carinhosamente
Ruben Alves
Vieira
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