O Sol do amanhã


O céu bordado de estrelas,
a Lua prateada
e a brisa de verão.
Assim, o Pampa dormia
na calada da noite vazia,
no colo e nos braços da escuridão.

A tarde foi embora,
sem dizer até logo
no crepúsculo do entardecer.
O o Sol descambou no poente,
dando lugar à nascente
de mais um escurecer.

Qual o brilho das estrelas,
dois olhos refletem
no encanto, a ternura.
E uma grande esperança,
no olhar da criança
que outro dia procura.

Busca, na esperança encontrar
um mundo melhor,
que há muito tempo não se faz,
onde o estampido da morte
desta guerra sem norte,
se transforme em paz.

Que o detonar destas armas
não lancem projéteis,
mas pétalas de flor
pra deixar a Terra florida,
com muito mais vida,
com paz e amor.

Que as mãos se alcancem
se apertem com calor
no gesto mais puro de união.
E que todos se abracem.
O pão sempre repassem,
pra repartir com o irmão.

Que os pássaros povoem
as matas esverdeadas,
que com águas cristalinas
pelos rios são banhadas.
E dentre tanta harmonia
deste mundo sonhado,
uma criança tão pura
entregue uma flor
para as mãos do soldado.

A noite irá embora
qual momento em que chegou.
E o Sol do amanhã
outro dia irá clarear.
 

Carinhosamente
 Ruben Alves Vieira
 
 
 

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