|
EU SOU O HOMEM
![]() Vejo as águas do rio que passam, turvas, escuras, com natas por cima. E a vertente na colina também nasce enturvada, é mais uma água pesada que deixou de ser cristalina. Meus olhos, fitam o verde da pampa rasgada, na fumaça cortinada que tinge o céu azul como nuvem escurecida deixando o verde sem vida, deste meu Rio Grande do Sul. E o cheiro que brota da terra molhada nos dias de chuvarada poentes da inspiração, se ofusca na poluição que invada a nossa querência deixando azedo o cheiro forte, quase igual a odor de morte da nossa pampa agredida. E a harmonia da vida largada sem rumo norte. Vejo o progresso, a evolução, marcas registradas do moderno. Logo atrás vem o prosterno, sem medir o grau da destruição. As chaminés altas tomam o lugar dos pinheirais, que só restam nos anais de xucras recordações. E o grito da gralha azul é a sirene a buzinar, sem harmonia a entoar a mais triste das canções. Vem o homem. este homem transformador, num brete, num corredor, um por um atrás do outro. Tem mais buçal que potro e freio no seu viver. Vem atrás do que fazer, sem saber o que tem feito. Nem bate mais no peito como demonstrar a coragem, pois, transformou nova imagem do antigo e perfeito. Cadê o tempo antigo? pra onde se bandeou aquela geração? Sumiu o pampa, a grama verde. resta cimento pelo chão. Mataram as tropeadas, terminaram com as careteadas, emudeceram o eira boi. Somente restam resquícios daquele tempo que se foi. Eu sou o homem! que ganhou de presente a pampa. Que traz traços falsos na estampa de realeza e imponência. Eu sou o homem! que remodela a querência nos moldes da evolução. Que transforma a criação do Divino Criador, ofuscando o esplendor e o brilho da natureza. Se sou o homem, já não tenho mais certeza, pois, pra ser homem haverei de ter consciência, que mudei minha querência destruindo o que ganhei. Até quando vou não sei sem medir a conseqüência. Ruben Alves Vieira |