Tarde de Verão
 
 
A sinfonia das águas
batendo nas pedras
abaixo da pequena cachoeira.
Uma sanga de água limpa
à sombra da pitangueira.
E o canto sempre afinado
do canário enciumado
com a cantiga do sabiá laranjeira.

É uma tarde de verão...

Uma prenda de sorriso aberto
com um brilho no olhar,
tão bela como a luz do sol,
que faz o pampa se acordar.
A flor perfumada,
rosa vermelha
a emprestar seu perfume
pra perfumar o lugar.

E a moça bonita
com seus pés a brincar,
na água que desce
sanga abaixo vai embora,
mas, não leva o seu sonhar.
E toma esta flor
com suas mãos delicadas,
absorvendo o perfume,
enquanto seus lábios
se põem a beijar.
Beijar...
as pétalas aveludadas
da rosa vermelha.

Assim se passa a tarde.
O dia vai embora
no lusco-fusco do entardecer.
E a moça bonita
com um sorriso mais lindo,
vê que a noite vem vindo
com estrelas a brilhar.
Mas, nem a lua prateada
essa prenda da noite,
o lume da moça
poderá ofuscar.

A moça vai embora
em busca de sonhos,
semeando alegria.
Mas, larga nas águas
a rosa vermelha
de pétalas macias.

Permanece nas mãos
o perfume de flor.
E no embalo da sanga
se vai perfumando,
até a rosa encontrar
as mãos de seu amor...
Carinhosamente
Ruben Alves Vieira

 
 

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