NAMORO NO GALPÃO

 

Olhos nos olhos da china

e um silêncio bem profundo,

que fazia pequeno o mundo

e por si esmo falava.

Um gesto um olhar pronunciava

o diálogo existente

entre dois corpos somente

que a noite abrigava. 

O lusco fusco do fogo

clareava a escuridão.

Uns pelegos pelo chão

faziam o ninho do amor,

era frio mas o suor

envolvia os amantes

que viviam naqueles instantes

o mais belo e puro amor.

Era tudo tão natural,

 tão simples e muito belo,

desde o olhar singelo

até o toque de mão,

 faziam o coração

de cada ser palpitar

no ofegante respirar

do namoro no galpão.

E quando o dia clareou,

que findou a escuridão,

o guarda-fogos no chão

já havia se queimado

e ainda abraçados

dois amantes se acordaram

e de bom dia trocaram

olhares de apaixonados. 

Olhos nos olhos da china

e um aperto no coração,

um par de lágrimas no chão

misturadas no sereno,

mas pelo mundo ser pequeno

e o pequeno não ser nada,

encontrará noutra madrugada

o mesmo corpo moreno

 

Carinhosamente

Ruben Alves Vieira

 

 
 

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